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Quadro de Filipa Guerreiro

 

 

 

 

 

Apresentação

Filipa GuerreiroO meu nome é Filipa Guerreiro, tenho 26 anos e nasci em Lisboa, aos 14 anos vim para Évora onde completei o liceu e completei a licenciatura em Ensino de Português e Inglês e em Tradução – variante de Inglês e Francês na Universidade de Évora e continuo a perseguir (pelo menos) duas paixões: a escrita e a pintura que se fundem em simbiose harmoniosa em mim e, na sua concretização reflecte-se, a cada momento, esse intercâmbio.

Tenho sido uma pessoa de momentos e emoções, dada à observação do que me rodeia, aproveitando os minutos para beber o mundo, para promover a troca humana de vivências porque é essa multiplicidade que permite que a arte aconteça e se espalhe nas almas.

Dois VerõesDescobri na força das cores e no movimento das palavras uma forma de significar a minha estadia no mundo... dar algo de nós é sempre estarmos presentes. Se me perguntarem como sinto o que faço quase poderia dizer que é da mesma forma que me sinto eu e me sinto viva... mais um batimento no meu coração, um compasso...

Para mim, manter uma relação saudável, útil, bonita e produtiva com a realidade é conseguir recriá-la em simbiose com o sentido estético. O elemento concreto é uma referência para o grito da emoção; dentro da tela tento desenhar um momento em que me veja e me sinta na relação forma – cor – sentimento. A cor é o que me dói e o que me exalta, o que me chama e o olho que chora na despedida.

Não posso dizer o que espero da pintura de forma muito definida, apenas que ela me continue a dar oportunidade de crescer em interior, de ser uma renovada e sempre mais completo ser humano... não posso senão esperar que se sucedam as esperanças, que se completem os sonho e renasçam...que os olhares avancem na direcção de um horizonte por inventar.

Filipa Guerreiro

O que me entra pelos olhos

O que me entra pelos olhos
Banha a alma de emoções de prata
E na tela branca, com a fé do momento
Cresce a flor pura com a flor de vento.
O pincel desliza, lascivo, nervoso...
E a febre nasce de um calor furtivo
De quem vê surgir num parto de choro
Um filho que é fruto de um amor intenso,
Como se a noite raiasse feliz
Numa madrugada vestida de incenso.

O que me entra pelos olhos
É o imortal canto das ninfas
Que Camões chamou, que acalmou o tempo.
E eu bebo a seiva, essa água doce...
E eu sei que sou e que estou lá dentro.

1999 - Filipa Guerreiro
 

  Almas na tela

Nem só a alma se desenha assim
Num mar de luz se a alegria vence
É também o sonho fantástico em mim,
É também um céu que ao peito pertence.

Coloridos, formas, teares de magia,
Um pincel na mão, na tela suando
Como a terra arada britando alegria
E uma ceifeira, tão bela, cantando.

É o Sol, é o brasão da vida
Que se abre de nós para o concreto
Num quadro de amor que nunca termina
Como o horizonte sempre incompleto.

E gemem as dores de um peito que cria,
A febre arrebata quando se está perto,
O Pintor tem frio se a neve é daninha
E tem sede, angústia, se está no deserto.

1995 – Filipa Guerreiro

 

 

 

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